QUEM FOI VIRGÍNIA BICUDO

Pioneira na Psicanálise brasileira, Virgínia Leone Bicudo foi a primeira não médica reconhecida como psicanalista. Nasceu em 21 de novembro de 1910 em Ribeirão Preto e morreu em 2003, em São Paulo. Neta de escravos e imigrantes italianos, formou-se na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, curso que buscou para aliviar suas inquietações diante das questões sociais, assim como compreender e se proteger do preconceito. Em 1936 teve contato com a Psicanálise, a psicologia do inconsciente de Sigmund Freud, e nela encontrou uma possibilidade de aplacar sua dor: “O que me levou para a psicanálise foi o sofrimento que eu queria aliviar… Desde criança eu sentia preconceito de cor e procurei o curso de Sociologia para me proteger do preconceito” (em entrevista ao jornal Folha de São Paulo).
Em 1945 escreveu sua tese “Atitudes raciais de pretos e mulatos”, sobre relações raciais no Brasil, inaugurando na Academia o debate sobre o racismo. Sua discussão consistia em uma abordagem nova e desafiadora: Virgínia Bicudo foi inovadora ao constatar através de pesquisas o preconceito com o qual se deparou ainda criança.
A psicanalista foi membro da diretoria da Sociedade de Psicanálise de São Paulo e coordenadora de seu Instituto. Em 1955 partiu para Londres, buscando aperfeiçoamento na Tavistock Clinic e na British Society. Foi recebida por Melanie Klein, por quem nutria grande admiração. Em 1959 retornou ao Brasil, introduzindo vigorosamente a importância da Psicanálise de Crianças como instrumento na formação dos analistas brasileiros, trabalhando também na difusão, consolidação e reconhecimento da Psicanálise no país. Virgínia Bicudo sempre acreditou no poder da Psicanálise para transformar realidades sociais – aposta esta que seguimos fazendo e que nos move, inspirados na grandiosidade e pioneirismo de sua carreira.

Colaboração: Vanessa Resende, membro associado do ESIPP.