QUEM FOI PAULA HEIMANN

Paula Heimann nasceu em 1899, em Danzig, na Alemanha, cidade que permaneceu até o início dos seus estudos em Medicina. Em 1928, já casada, muda-se para Berlim e inicia sua formação no Instituto de Psicanálise, concluindo-a quatro anos depois, período em que também se divorcia e muda-se para Inglaterra com sua única filha.

Em Londres, inicia sua análise com Melanie Klein e se integra a British Psychoanalytical Society (BPS), tornando-se uma ferrenha defensora das ideias de sua analista. O rompimento com Klein se deu após apresentação de seu artigo “Sobre a contratransferência” em Zurique (1950) tendo em vista que ambas didcordavam sobre alguns pontos e Paula torna-se então membro do grupo independente de psicanalistas até seu falecimento em 1982.

Suas contribuições à psicanálise foram vastas, porém, sem dúvida, suas percepções sobre a contratransferência merecem destaque. Para ela, esse fenômeno diz respeito à totalidade dos sentimentos que o analista vivencia em relação ao seu paciente. Por muito tempo se acreditou que um bom analista ou terapeuta não sentiria nada em relação a seu paciente, além de uma benevolência suave e que as oscilações sentidas deveriam ser perturbações rapidamente superadas.

Em seu artigo, Heimann defende que a resposta emocional do analista a seu paciente dentro da situação analítica representa uma das principais ferramentas para seu trabalho e revela sua impressão de que ainda não se havia dado ênfase suficiente sobre o fato de que a análise seria uma relação entre duas pessoas.

Hoje, suas ideias são amplamente aceitas e nos fazem atentar cada vez mais para a importância do tratamento do terapeuta para que, como mostrou Heimann, este não se transforme em um cérebro mecânico de produzir interpretações, mas sim, possa ser capaz de aguentar os sentimentos que são suscitados dentro dele com o objetivo de usá-los a favor do trabalho psicanalítico.

Autora: Franciele Michelon, membro associado do ESIPP.