QUEM FOI LUIS KANCYPER

Luis Kancyper nasceu no dia 31 de outubro de 1944 em Buenos Aires. Era médico, psicanalista, membro titular da Associação Psicanalítica Argentina, professor do Instituto de Psicanálise, analista, professor, supervisor e escritor. Faleceu em agosto de 2018 deixando um importante legado construído a partir de sua dedicação com a clínica e com seus escritos sobre conceitos que marcaram a psicanálise na América Latina.

Se debruçou sobre temas como o ressentimento, confrontos geracionais, adolescência, complexo fraterno, narcisismo, alteridade, pulsão de morte, ódio, amizade e amor. Teve importantes artigos publicados nas principais revistas internacionais de psicanálise sobre a clínica psicanalítica, metapsicologia e a técnica psicanalítica.

Em seu livro El Complejo Fraterno: estudio psicoanalítico (2004) elucida sobre como o complexo fraterno se apresenta na cultura, através da mitologia do relato bíblico de Esaú e Jacob. Assim como, sua apresentação no processo analítico, entendendo o Complexo Fraterno como um processo complementar à compreensão do Complexo de Édipo. Forneceu à psicanálise novas vias de entendimento da estrutura fraterna e de sua articulação com dinâmicas narcisistas e edípicas. Kancyper ainda ressaltou que o Complexo Fraterno é um conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta em relação à seus irmãos e que as marcas destes vínculos, além dos vínculos com os pais, também se apresentam na confrontação geracional, na relação com amigos e com os pares.

Em seu livro, Ressentimento e Remorso: estudo psicanalítico (1994), definiu o paciente ressentido como aquele que está “doente de reminiscências”, que não pode deixar de recordar o passado e nutre o rancor de uma amarga e arraigada lembrança, com anseios de vingança.

Além disso, Kancyper enfatizou que o importante em nosso trabalho clínico não é restituir o passado e nem o buscar para revivê-lo, mas reescrevê-lo num processo de reordenamento identificatório (2019).

Sendo assim, para que a confrontação e a historização aconteçam é necessário a admissão da alteridade e das marcas da diferença, assim o sujeito se ressignifica e reestrutura sua biografia para poder transformá-la em sua própria história.

Autora: Renata Teixeira, membro associado do ESIPP.