NOVEMBRO AZUL 2020

Novembro é o mês dedicado à prevenção do câncer de próstata. Falar sobre a prevenção desta doença exige abrir a discussão sobre o exame de toque retal, tão temido e por isso negado pelo público masculino. O temor da possível perda da masculinidade circunda tanto o diagnóstico desta doença como o referido exame, perpassando o imaginário masculino. Tal temor, de acordo com o entendimento psicanalítico, traz implícito o temor à castração, que refere-se ao medo inconsciente da perda do órgão genital masculino – e que simbolicamente remete à outras numerosas perdas da vida, como a perda da potência e da vitalidade, perda da onipotência com relação à saúde, colocando em contato com a fragilidade humana. Na faixa etária para a qual é comumente sugerido esse exame, vai ganhando força o temor da morte no imaginário masculino, e a negação pode vir a ser um mecanismo de defesa amplamente utilizado na tentativa de não se deparar com a realidade das nossas limitações. O medo da morte e o medo de perder a virilidade/masculinidade podem levar o homem a entrar em estado de negação desta temática e evitar esse importante assunto.

O medo da castração, da morte e de ter uma doença grave pode levar o sujeito a evitar o exame preventivo, e essa negligência pode acarretar em danos ainda maiores. A prevenção é muito importante para detectar precocemente a doença, reduzindo assim as complicações que, quando identificadas bem no início, são tratáveis e podem ser erradicadas – como infecções e tumores na próstata e bexiga. Importante mencionar que, diante deste diagnóstico, o tratamento do corpo físico não exclui a necessidade de um tratamento psicológico.

Nós, terapeutas do ESIPP, estamos à disposição para acompanhar o processo de enfrentamento e elaboração psicológica desta doença, auxiliando no tratamento do impacto psicológico que ela acarreta, o que fica simbolizado na nossa campanha pelo Novembro Azul.

O tratamento psicológico aqui mencionado não se direciona apenas aos pacientes do sexo masculino, mas se estende a todas as pessoas impactadas por esse diagnóstico (familiares, amigos, equipes de atendimento em saúde) e que necessitem de tratamento e apoio psicológico.

Autor: Ricardo Souza, membro associado do ESIPP.