FINADOS

FINADOS, FINAR, FIM: o dia que marca no calendário quem já existiu, uma celebração que traz saudade, marca a ausência, mas que, também, nos revela que a morte não é capaz de apagar a existência. Nos deparamos com a ausência que se faz presente, e com uma presença que se fez ausente.

Um dia, sem anuncio ou hora marcada, acontece.
Não sem espera, pois sabemos que esse momento irá chegar, porém por vezes esquecemos e queremos esquecer. Essa luta que se faz nessa espera, entre o começo e o fim – entre o existir e o findar – chamamos VIDA.

Todo fim inspira um recomeço
Em partes me parto, me fecho, me ardo e dilacero.
A falta se faz presente e me deixa um tanto ausente.
Aquela música, o teu cheiro no ar, aqueles passos que reconhecia só de se aproximar.
No recomeço me refaço, acredito, faço brilho e me entrego.
Sinto a falta, não nego.
É nessa beleza efêmera e transitória que me monto, desmonto e remonto.
No recomeço me arremesso, não mais do começo, pois já te tenho gravado em mim, pra todo novo início que me desperto.
Me renovo e busco outros rumos, outros frutos para florescer e renascer.
Tudo o que é belo FINDA e justamente por isso, também, É VIDA.

 

Autores: Núcleo de Luto do VIVER – Angélica Sonnes, Caroline Farias (coordenadora), Cristina Baldissera, Cristiane Farias, Lunara Martins, Mariani Malinowski, Marília Altomare, Matheus Augusto Batista e Renata Teixeira – membros associados do ESIPP.