123 ANOS DE WILFRED BION

Wilfred Ruprecht Bion nasceu em 8 de setembro de 1897, em Muttra, no Penjab, Índia. Seu pai era engenheiro a serviço do Governo Britânico na Índia, então colônia inglesa. Sua mãe foi pessoa simples, de temperamento instável, frequentemente triste, e o garoto sofria com estas características da mãe. Teve uma irmã de nome Edna. Bion viveu na Índia até os 7 anos sob os cuidados de uma ama indiana (Ayah), que exerceu sobre ele influência marcante. Por volta dos 8 anos Wilfred foi levado para Londres para estudar e lá ficou, sem a família, interno num colégio onde recebia escassas visitas dos pais. Aos 19 anos alistou-se nas Forças Armadas e lutou na 1a Guerra dirigindo tanques. Foi condecorado pela Rainha, mas não se orgulhava disso.
Ao final da guerra foi para Universidade de Oxford, estudou História, Filosofia e licenciou-se em letras, passando a dar aulas. Ao ler Freud, ficou fascinado e resolveu fazer medicina e se tornar psicanalista. Formou-se médico aos 33 anos, e teve distinção em cirurgia. Foi trabalhar nã Tavistock Clinic onde fez psiquiatria. Foi chamado na 2a Guerra onde trabalhou com grupos de reabilitação de pilotos do exército. Nesta época casou-se com uma atriz de teatro, mas logo ficou viúvo após o parto de sua primeira filha Partenope. Em 1945, já com 48 anos, inicia sua análise com Melanie Klein, que dura 8 anos e faz sua formação no Instituto de Psicanálise de Londres. Casa-se novamente, tem mais dois filhos, com Francesca Bion.
Na Sociedade Britânica foi analista didata, diretor do Instituto e Presidente. Mas seu desejo constante de conhecer outros mundos o levou a morar em Los Angeles, por 11 anos, a convite de psicanalistas da Califórnia. Fez várias visitas à América Latina, à Buenos Aires e esteve por quatro vezes no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília). Nos seus quase 40 anos como psicanalista produziu em torno de 40 títulos importantes, além de participar de inúmeros seminários clínicos e conferências que posteriormente foram publicados também.
Segundo David Zimerman, grande apreciador de sua obra, suas contribuições são tantas, tão originais, e com tal aplicabilidade na prática clínica do dia-a-dia de cada psicanalista, que é impossível não reconhecê-lo como um verdadeiro inovador das concepções psicanalíticas contemporâneas.

Bion morreu em 8 de novembro de 1979, aos 82 anos, na cidade de Oxford, Inglaterra, para onde tinha retornado, de leucemia aguda.

Autora: Jussara Dal Zot, professora convidada do ESIPP.